Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que, a princípio, eu não queria fazer um blog sobre cinema. Mas sou apaixonado por filmes, se fico mais de 4 dias sem assistir nenhum já começo a sentir a crise de abstinência. E, ao contrário de boa parte dos cinéfilos, não sou desses que despreza o cinema de entretenimento e fica embasbacado com os filmes do Godard, Pasolini, Truffaut e outros cineastas cujas obras herméticas todo mundo finge entender. Nada contra eles, mas gosto mesmo é de filme americano. É possível fazer cinema que divirta e ao mesmo tempo nos leve à reflexão. M. Night Shyamalan sabe disso.
O parágrafo a seguir não deve ser lido por quem ainda não assistiu o filme e pretende fazê-lo.
Ele é o diretor de "A Vila", um thriller surpreendente. Pode-se dizer que é um filme em "camadas". Explico: aparentemente é um filme de horror comum que mostra um vilarejo no século XIX sendo aterrorizado por criaturas hediondas que vêm da floresta. Mas não é só isso, por trás desta narrativa vemos que se trata de uma belíssima história de amor. Um crítico falou no jornal que valia a pena assistir o filme duas vezes. Foi o que fiz. E percebi que havia mais coisas escondidas nas entrelinhas: uma parábola do medo que o ser humano nutre pelo novo, pelo desconhecido, por mudanças. Como nos apegamos a dogmas, por mais absurdos que sejam, para nos protegermos. As tais criaturas que geram pânico na vila são chamadas de "aqueles de quem não falamos". Todo mundo tem algum assunto tabu, algum tema que incomoda tanto que fica enterrado em algum lugar.
Contudo, há ainda mais a ser revelado, o filme lida também com o dilema da inocência versus realidade, a pureza original tão encantadora nas crianças que vai-se esvaindo à medida que crescem. Os fundadores da vila fogem de uma civilização que parece ter perdido o rumo, onde a violência é tão comum que ficou banal e o dinheiro tornou-se o único parâmetro para aferir o valor de todas as coisas que existem, inclusive pessoas. Até que ponto conseguimos manter-nos fiéis a nossos princípios e à virtude num mundo tão corrompido?







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