Devido a problemas técnicos os 3 outros finais serão publicados amanhã ou o mais breve possível
Devido a problemas técnicos os 3 outros finais serão publicados amanhã ou o mais breve possível
1. Chegam nos aliens e são mortos. O povo acha que o desaparecimento e perda de contato com astronautas significam que o lugar é mesmo um paraíso que eles querem guardar para si próprios apenas. Constroem então uma esquadra de naves gigantes para transportar todo o povo odhacan a Magna Tauri e são exterminados por uma cruel raça alien. E nunca mais se ouve falar do povo Odhacan.
2. São bem recebidos, mas ao perguntarem sobre as respostas o alien se surpreende: “nós achamos que vocês encontrariam as respostas. Não somos deuses, ah essa é boa, somos um bando de engenheiros que não arruma namorada então ficamos fertilizando planetas como hobby. Eu, por exemplo, tenho 12.000 anos de idade e nunca dei um beijo de língua.”
3. Não há aliens como se imaginava, apenas um povo ignorante e primitivo. Os odhacan ensinam a eles algumas técnicas e são endeusados. Depois de “civilizados” os nativos, os odhacan regressam ao lar deixando uma carta estelar com sua localização no céu do planeta.
Ficção-Científica
Desde que me dou por gente sou fascinado por sci-fi. E quanto mais conhecia mais curioso ficava. Hoje em dia parece que o gênero está meio em crise, fora Matrix costumam ser fracassos. As tecnologias mais novas mais atrapalham que ajudam. Por exemplo: acho os efeitos especiais do Guerra nas Estrelas 1, (do final dos anos 70) que usavam maquetes, muito superiores aos efeitos digitais do Ataque dos Clones, o episódio mais novo. É incrível mas quem faz estes filmes não percebe se a estória não for boa de nada adianta a pirotecnia dos efeitos. Acho tudo isso uma pena, a ficção-científica poderia ser um palco vastíssimo para questionamentos filosóficos, especulações sobre como a maneira que vivemos hoje pode influenciar o futuro e tudo mais que imaginarmos.
- Brazil: de Terry Gillian (Os 12 Macacos, Aventuras do Barão Munchausen e vários do Monty Python). Não tem nada a ver com o Brasil, fora a aquarela do Brasil que fica tocando o tempo todo. Fotografia, roteiro, cenários, tudo perfeito, este filme é uma jóia ainda não descoberta.
- Guerra nas Estrelas: precisa falar alguma coisa? Mas prefiro as 3 primeiras partes, sobretudo O Império Contra-ataca. E achei o relançamento dos filmes "melhorados" digitalmente uma idiotice.
- Homens de Preto: A idéia de que não estamos sós no universo e podemos até estar sendo visitados sempre me instigou. Esta comédia brinca com esse papo todo de E.T., é ágil, superficial, muito engraçada, uma ótima pedida. A parte 2 tem bons momentos, mas não é tão legal porque não oferece nada de novo.
- Laranja Mecânica: classificação discutível: pode ser considerado um drama, como a D. Xepa sugeriu. Mas isso não importa, o que vale é que se trata de uma boa adaptação de um livro fantástico, daqueles poucos que vão ficando melhores e mais atuais com o peso dos anos - clássicos.
- Robocop: discriminado por se assemelhar a blockbusters violentos, moralistas e superficiais, muitas vezes é injustamente jogado na vala dos stallones & schuazenegas (odeio esse cara e me recuso a escrever seu nome certo). Acreditem: este é diferente, lida com questões como a perda da identidade do homem num mundo onde as máquinas vão ganhando cada vez mais espaço e se humanizam, enquanto as pessoas se "mecanizam". Do Paul Verhoeven (Basic Instinct, com a Sharon Stone e o desastroso Tropas Estrelares).
1 - "White Rabbit" (Jefferson Airplane)
2 - "Tomorrow Never Knows" (Beatles)
3 - "Heroin" (Velvet Underground)
4 - "Sister Morphine" (Rolling Stones)
5 - "Here Comes the Nice" (Small Faces)
6 - "White Lines" (Grandmaster & Melle Mel)
7 - "Cokane in my Brain" (Dillinger)
8 - "Signed D.C. (Love)
9 - "Higher than the Sun" (Primal Scream)
10 - "Cold Turkey" (Plastic Ono Band)
11 - "The Needle and the Damaged One" (Neil Young)
12 - "Who Put the Benzedrine on Mrs. Murphy's Ovaltine" (Harry 'The Hipster' Gibbon)
13 - "Eight Miles High" (The Byrds)
14 - "The Reefer Song" (Fats Weller)
15 - "Rainy Day Women #12 & 35" (Bob Dylan)
16 - "The Hashishin" (Ry Cooder/Buffy Sainte-Marie)
17 - "Carbona Note Glue" (Ramones)
18 - "Journey to the Center of the Mind" (The Amboy Dukes)
19 - "Pusherman" (Curtis Mayfield)
20 - "My Friend Jack" (The Smoke)
Larguei a codeína uns dias por causa da tolerância: quanto mais você toma, mais precisa para ficar no mesmo estado. Hoje recorri à cerveja com rivotril - bem agradável. E fico visitando uns sites sem pé nem cabeça como projeto montauk ou o homem mariposa da virgínia.
Pelamor de Cristo, leiam minha história de sci-fi.
Drama
- Réquiem para um Sonho> filme pesado, mas excelenteCom a linda e ótima atriz Jennifer Connely, além da sempre eficiente - neste caso ela se superou - Ellen Burstyn.
- Felicidade> tragicomédia genial
- Magnolia> a melhor atuação de Tom Cruise, mais John C. Reilly, Julianne Moore, Jason Robards, Philip Seymour Hoffman e o cara do Fargo que esqueci o nome 
- Farrapo Humano> Clássico
- Juventude Transviada> Clássico com James Dean
-Seis Graus de Separação> estória fascinante com Will Smith, Donald Sutherland e Stockard Chaning
- Um Sonho sem Limites> do outrora promissor Gus Van Sant. A melhor atuação de Nicole Kidman, num papel que destila frieza; e ainda Matt Dillon e Joachin Phoenix irreconhecível.
- De Olhos Bem Fechados> último filme do mestre Stanley Kubrick. Pode chocar alguns
- O Pescador de Ilusões> de Terry Gillian, do Monty Python, filme lírico, comovente
- Um Estranho no Ninho> Jack Nicholson num hospício lidera rebelião de loucos subjugados por enfermeira sádica. Do mestre Milos Forman veja também: "O Povo Contra Larry Flynt" e "Amadeus".
Leia a introdução antes...
A descoberta literalmente parou o país. Todos os odhacan pararam de fazer suas tarefas para discutirem sobre aqueles desenhos, que tinham por volta de 10.000 anos. Seriam os Odhacan fruto da generosidade de um povo superior? Quem eram eles? Por que não deram as respostas? Talvez porque soubessem que os nativos não as compreenderiam. Acima de tudo, os odhacan ansiavam por mais uma visita dos homens do céu.
Constroi-se um gigantesco emissor de ondas de rádio voltado para as estrelas, um mega-telescópio, além de um conjunto de radares receptores. Cogita-se até a construção de veículos espaciais, copiando o formato das naves nas inscrições, mas essa idéia é rechaçada, seria tentar se igualar aos Deuses, o que os odhacan viam como pecado.
Enquanto isso, as escavações prosseguem e revelam mais surpresas: inscrições próximas das já encontradas parecem ser um mapa estrelar. De fato, representam com surpreendente exatidão a constelação de Magna-Tauri, tendo uma das estrelas em destaque. Não era preciso ser nenhuma autoridade no assunto para se concluir que os visitantes eram oriundos daquela estrela. Assim, o projeto de construção de veículos estrelares é retomado a todo vapor. O povo já não se importa com a suposta heresia e mostra-se ansioso para enviar um odhacan à moradia dos Deuses.
A Seita do Disco foi criada logo depois das primeiras descobertas e obviamente ganhou enorme popularidade, com adesões de odhacan de todos os tipos. Enfim poderiam preencher o vazio que antes havia na alma. E a Seita divulgou que depois de mortos, os odhacan iam para o planeta dos aliens, onde seriam felizes como nunca foram em toda a vida, exceto aqueles que não pagavam o dízimo, estes tinham suas almas queimadas como combustível das naves alien. Mas ninguém queria esperar a morte para experimentar a tal felicidade, então a construção do veículo estelar tornou-se prioritário para toda a nação. Levaram anos para finalizar o projeto e a nave ganhou o nome de MOISES (Módulo de Operações Imponderáveis e Sondagem do Espaço Sideral). O dia da partida foi considerado o mais importante da história odhacan e tornou-se a partir daí feriado nacional. 3 astronautas embarcaram no veículo, cujo design foi inspirado nos discos desenhados nas cavernas. Calculou-se que levariam 6 meses até chegarem a Magna Tauri. Contudo, a comunicação da MOISES com a base de controle odhacan foi cortada faltando algumas horas para a nave atingir seu objetivo. O que aconteceu? (copyright preservado por registro)
No próximo capítulo: 5 finais diferentes, ou mude você mesmo a história e mande prá mim
- Zelig> os filmes de Woody Allen mereceriam uma categoria à parte. Este, então, é mais do que genial, o protagonista contracena com grandes figuras do Séc.XX e assume suas personalidades
-Tiros na Broadway> mais um de Allen impecável. Grandes personagens, grandes diálogos, grande elenco.
Nada pior que num sábado chuvoso você, exausto(a), depois de uma semana terrível no trabalho, resolva ficar em casa e assistir um vídeo. E, apesar de o funcionário da locadora ter garantido que o filme é bom, logo constata-se o contrário: é uma merda. De uma hora prá outra você sai do estado "ótimo, um bom filme pra me entreter" para "sou um(a) idiota, porque eu não aceitei o convite pra sair?". Para prevenir esta catástrofe cada vez mais comum nos lares brasileiros, eu humildemente apresento um míni-guia só com filmes bons. Boa parte deles você provavelmente já assistiu, tenho predileção por cinema americano, mas pode ser que encontre um que não conheça. Neste caso, confie em mim e bom divertimento!
Ação, Aventura
- Indiana Jones 1,2 e 3
- 007 - O espião que me amava
- 48 horas
- Selvagens da Noite> filme dos anos 70, já meio datado, brigas de gangues em Nova York, cada uma com um uniforme hilário.
- Easy Rider> o espírito, o lado bom e o lado ruim da geração hippie. mas também um filme sobre ser livre. Com Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson num de seus primeiros trabalhos.
- A Praia> polêmico, uns amam, outros odeiam.
Comédia
-Depois de Horas> ótima comédia de Martin Scorcese sobre a caótica madrugada de um cara no Soho
- O Pentelho> "The Cable Guy" é um filme injustiçado. Jim Carrey faz sua melhor comédia, com cenas antológicas, como a do "Medieval Times". De rolar de rir
- Monty Python: O Sentido da Vida> célebre grupo de humoristas britânicos, humor inteligente invade o campo de filosofia. Inusitado, pode não satisfazer alguns.
- Na Roda da Fortuna> obra menos conhecida dos Irmãos Cohen, imita os ingênuos e otimistas filmes de Frank Capra e tem trama simples, ótimas atuações (Tim Robbins e Jennifer Jason-Leigh) e no final você até se sente mais leve.
- O Jovem Frankenstein> Muito antes de "Todo Mundo em Pânico", Mel Brooks já fazia paródias de todos os gêneros, no caso, filmes de horror. Se gostar veja também "S.O.S. - Tem um louco solto no espaço". Saudades do tempo que comédia não tinha que ser apelativa para fazer sucesso.
- Curtindo a Vida Adoidado
- Um Peixe chamado Wanda
- Joga a Mamãe do Trem
- Antes só do que Mal- Acompanhado
- Quem vai ficar com Mary
- Osmosis Jones (animação e cenas reais)
- Os Caça- Fantasmas
- Tia Danielle> produção francesa sobre uma velhinha de amargar
Em breve dicas de outros gêneros
Podem me chamar de escapista, mas como o Tom Petty fala naquela música: "desculpe se há um lugar em minha mente onde vou de vez em quando". Fui prá outro planeta
Estória interativa; você escolhe o final!
A incrível saga do Povo Odhacan
Num planeta distante, muito distante, vivia o povo de Odhacan, como eles próprios se denominaram. Na aurora da civilização odhacan, os homens ainda eram muito primitivos, tanto que nem chegavam a ter uma língua escrita, utilizando-se de desenhos toscos em cavernas para contarem suas histórias, ou seja lá o que eles tenham julgado digno de registro. Eventualmente eles foram evoluindo, deixando o nomadismo e estabelecendo-se com seus semelhantes nas primeiras cidades; fizeram descobertas, prosperavam, mas ainda faltava o mais importante: a fé, a religião, uma crença para dar um conforto à alma, respostas, algo para combater o pânico de se desconhecer o que está além dos portões da morte. Com o passar dos séculos, a política foi evoluindo até resultar em democracia, mas o clamor popular, cada vez mais forte, pedia uma resposta para o verdadeiro sentido de suas vidas. Um grupo da elite científica odhacan se reuniu com o governo pedindo verba para realizarem pesquisas sobre a origem dos odhacan. Isso poderia dar algumas pistas para os questionamentos filosóficos e espirituais do povo. O governo recebe a proposta com entusiasmo e oferece apoio total para uma expedição arqueológica.
Eis que os pesquisadores encontram inscrições antiqüíssimas, talvez as mais antigas de todos os desenhos em cavernas encontrados até então. Aos poucos, com intuição e paciência conseguem decodificar as inscrições. Um tipo de HQ sem os quadrinhos, mas no mesmo estilo seqüencial. Elas contavam a história de um povo que veio dos céus em belas naves espaciais e contataram a população local, mostrando-se pacíficos e curiosos. Os nativos concluíram que os visitantes eram os Deuses que eles nunca tiveram. A visita tinha aquele propósito: mostrar ao povo que algo maior e mais poderoso os observa dos céus, algo que deveria ser reverenciado como os pais de todos os nativos, pois foram os aliens que possibilitaram a existência de vida no planeta. Com o tempo as respostas viriam, disseram os visitantes, e no último desenho as naves deixam o planeta. As respostas nunca vieram. (continua amanhã)
Numa página sobre "Governantes Invisíveis e Sociedades Secretas" figuram umas teorias bem loucas como o nome sugere. Verdadeiras ou não, são certamente muito divertidas e criativas. Até que cheguei nesse trecho:
O texto sânscrito Vishnu Purana descreve que a época de Kali, ou seja, da destruição, poderá ser identificada quando "a sociedade atingir um nível em que a propriedade outorgue categoria, a riqueza for a única fonte de virtude, a paixão constituir o único laço entre homem e mulher, a falsidade for a matriz do sucesso na vida, o sexo o único meio de prazer, e quando os ornamentos exteriores se confundirem com a religião interior."
Alguma semelhança com nossa sociedade? Céus, como eu ando pessimista...
Everything´s ok in the world of the kay. Só ando meio estressado com a facu. Será que é só na PUC que os alunos são majoritariamente um bando de alienados que se comportam como adolescentes? Cara, é ridículo um professor ter que pedir silêncio na sala de aula repetidas vezes e mesmo assim os manés não calam a boca. Eles só se interessam por coisas onde vão obter benefícios imediatos. Um raciocínio tacanho, medíocre. Onde você estuda, leitor, é assim também? A solução que encontrei, por sinal deveras estúpida é ir à aula completamente dopado. I wanna be sedated, aquela música dos Ramones.
mais um episódio do conto e o epílogo
III
Eu não disse que são uns babacas? Enganei aqueles executivos otários direitinho. Logo depois que tomei a decisão de sair da emissora, levando comigo toda minha equipe, um emissário deles me procurou propondo um acordo. Eu teria minha história filmada desde que fizesse umas alterações no roteiro. Aí eu prometi reescrevê-lo: podei uma frase de duplo sentido aqui, uma cena com pivetes cheirando cola ali, e mandei para eles. Na verdade a trama ficou quase igual, não fiz quase nenhuma concessão e eles engoliram aquilo como se fosse mais uma pseudocrítica da sociedade: rebelde e contestadora na aparência, mas com conteúdo inofensivo. No entanto, o que havia de mais provocador no roteiro, assim como a mensagem final, foi preservado. Eu tinha bolado um desfecho infeliz para a história com o intuito de fazer as pessoas refletirem um pouco sobre suas patéticas existências, mas me convenceram a fazer um final feliz. Mas mantive a frase que um coadjuvante diz sobre o desperdício de comida nos lares burgueses. O diretor de marketing deu a idéia de mudar o título de Você-sabe-o-meu-nome Show para Crônicas Alternativas. Achei o palpite inapropriado e desrespeitoso para com a minha pessoa, mas os executivos gostaram. Eles pareciam mesmo decididos a tirarem meu nome do título da atração e isso me obrigou a iniciar uma técnica de resistência passiva que aprendi com meu amigo Itamar Franco. Consiste em ficar fazendo birra de cara amarrada enquanto roga-se pragas de forma ininteligível. Funcionou. Vai se chamar Crônicas Alternativas, com... e o meu nome. O fato de o protagonista ser usuário de drogas incomodava bastante os executivos, na verdade ele não pode nem fumar Freea, conforme estava no roteiro, porque eles já tinham fechado o patrocínio com os cigarros Oliú, então mudei seu vício para filmes com o Jean-Claude Van Damme. Isso também não prejudica em nada minhas intenções, pois o drama da dependência, a desgraça da família, a agonia da abstinência, tudo é igual, não importa a droga. Em suma: a essência da minha história permaneceu intocada. Por isso eu quase que nem liguei, só comecei a suar um pouco, quando na reunião que antecedia o início das filmagens fui comunicado que já tinham o ator que faria o protagonista, e que como eu havia escrito o roteiro seria justo eu não atuar no programa, cedendo meu papel a um ator menos famoso, mas com potencial. Afinal de contas, eu sempre fora conhecido não só pelo meu extraordinário talento, mas também por minha humildade e generosidade. Pelo menos foi isso que o diretor de marketing me falou. Fazia sentido. Conseqüentemente, o que não fazia sentido era ter meu nome no título, já que eu não atuaria. Eu posso ser um gênio, mas quem sou eu para negar a Lógica? Concordei, enquanto lutava para parar com o tique nervoso que subitamente me acometeu, piscando e botando a língua para fora. Neste momento um outro engravatado perguntou se estava tudo bem comigo. Claro, respondi, tentando elevar-me da cadeira de um modo que eles não notassem o quanto eu tremia. Digo tentando porque as pernas bambearam e caí no chão. Me levantaram, eu tremia e suava frio, mas firmei o pé no carpete e me encaminhei para a porta da sala de reuniões. Queriam chamar um médico mas eu nem dei atenção, provavelmente minha pressão tinha caído ou algo assim. E pensei que naquele momento o melhor seria dar uma espairecida numa casa de massagem. Já na porta da emissora fui surpreendido pela ausência de meu importado na vaga exclusiva que possuo. Pedi explicações ao porteiro sobre meu carro e ele sorriu meio sem jeito falando que o carro era da emissora e que fora emprestado ao tal ator menos famoso. Não me lembro o que aconteceu depois. Aliás, a partir deste dia minha memória virou um lugar nebuloso e escuro, iluminada por clarões esparsos. Pois tudo que me recordo foi de ter tirado uma navalha do bolso e do sangue esguichando com admirável pressão, me remetendo ao Jet d’Eau, o enorme e belo chafariz que uma vez visitei em Genebra.
IV
Não sei se chegaram a filmar meu roteiro. Não sei há quanto tempo estou aqui. É um lugar simples, espartano, tudo pintado de branco, uma espécie de spa de terceira classe. Bem que eu já tinha ouvido comentários sobre a crise financeira da emissora, mas eles poderiam ter aberto um precedente para um artista da minha estirpe e me colocado num lugar onde pelo menos os hóspedes são mais civilizados. Aqui parece que só tem gente louca. Estas são as férias mais monótonas da minha vida. Quando tentei sair da área do "resort", um guarda me impediu dizendo que havia uma epidemia terrível de um vírus africano e que toda a área estava de quarentena. Não sei o que esta palavra significa, mas me remete a coisas doentias, moribundas, como hospitais psiquiátricos, então achei melhor voltar para o meu quarto naquele estranho spa onde os funcionários usam roupas brancas e os hóspedes, infames aventais azuis. Nem sei como me convenceram a vestir isso. Mas acho que com a quantidade de remédios que estão me dando, logo estarei com o físico de um Stallone e o cérebro de um Stephen Hawking, então não ligo muito. Aproveito as longas horas de inatividade escrevendo novos roteiros, documentários, novelas...mostrei alguns rascunhos para os hóspedes e eles adoraram. O da camisa-de-força, então, babou de felicidade quando ouviu a sinopse de minha nova série. Esse pessoal da emissora é sortudo mesmo em contar com um profissional que trabalha para eles até nas férias. Entrego tudo para um cara de branco que promete que vai mandar para a emissora. Até agora eles não aproveitaram nada. Digo isso porque estou assistindo eles o dia inteiro. Perguntei ao meu emissário o porquê daquilo. Ele me deu um tapinha no ombro e falou que meu trabalho era de alto nível, um nível acima do popular, por isso eles preferem exibir minhas criações na tevê paga. Ah! Então é isso! O local obviamente só tem os canais abertos. Pedi para ele gravar um dos programas para mim, mas ele se esquivou e afastou-se.
Hoje apareceu um cara aqui. Ele queria falar comigo. Fiquei feliz, ultimamente ninguém tem me procurado. Falou que era um representante da emissora e que queriam filmar minha vida. "Minha vida? Todos conhecem minha vida, a ascensão meteórica para o estrelato, meu apogeu eterno no Panteão dos Deuses da Oitava Arte...", mas ele parecia não estar prestando muita atenção, ficava só falando "sei, sei" enquanto tirava um papel da pasta. Estava cheio de escritos em letra miúda, uma espécie de lista com um espaço pontilhado no final. A leitura é um hábito inútil, uma grande perda de tempo; nunca leio nada, não ia ser naquela hora que eu ia ser diferente. Com um belo sorriso no rosto, o cara falou que era só assinar na linha pontilhada. Obedeci cordialmente, devia ser um autógrafo para o filho ou até para ele próprio. Esse meu público me ama mesmo.
FIM
continuação do conto
Este mundo não me merece. Hoje descobri que sou uma das pessoas mais solitárias do mundo. Tudo bem, não me importo. Homens à frente de seu tempo são naturalmente sozinhos, pois suas idéias avançadas sempre se chocam contra o sistema. Incomodamos, botamos o dedo na ferida. Por isso que aqueles engravatados não aprovaram o roteiro. Para começar eles não entenderam nada. Tudo bem. Não tem problema. Vou montar minha própria produtora. Eu não cabia mais naquele esquema artificial da emissora. Aqueles babacas acham que entendem do riscado, mas estão totalmente fora de sintonia com o público. Eu conheço meu público. Meu show tem a capacidade de entreter simultaneamente desde o avô até o netinho. É impressionante. E quando eu digo que meu público está pronto para meu novo show eu sei do que estou falando. Mas eles se recusam a enxergar isso, então, que posso fazer? Perdoai-os, Senhor, pois eles não sabem o que fazem. Vou trilhar meu caminho solitário, que é tortuoso, mas me levará ao Olimpo. No mínimo. (mais um capítulo na próxima edição. não percam: vai correr sangue!)